26 de jul. de 2009

A pacificação de Cité Soleil


Primeira colônia a se tornar independente das metrópoles européias, em 1º de janeiro de 1804, o Haiti é atualmente considerado o país mais pobre das Américas. Esse status de pobreza, entretanto, depreende-se apenas do PIB desse país caribenho, sem que se estabeleça com clareza em quais condições sobrevive uma esmagadora maioria de absolutamente pobres da população. Claro está que, para a "esmagada" minoria dos absolutamente ricos, isso pouco importa. O fato é que se fez necessária uma intervenção de forças militares da ONU para conter uma violência já completamente fora de controle, à custa de muitas vidas humanas e muito dinheiro.

O Haiti é um país de contrastes. Tem praias paradisíacas e uma vocação natural para o turismo. Tem também favelas, fome, miséria, insalubridade, narcotráfico, violência, insegurança, injustiça, balas perdidas, corrupção, controle nenhum de natalidade, política nenhuma de educação ou de saúde pública. O problema é descobrir o que fazer com as centenas de milhares de pessoas famintas e desempregadas socialmente excluídas. São mães desesperadas, pais humilhados e filhos revoltados.

Cité Soleil é o nome de um bairro uma favela localizada na capital do país, Porto Príncipe, onde se deflagrou uma guerra de 'absolutamente pobres' contra 'absolutamente pobres'. Presentes naquela luta, lá estavam as armas (que custam dinheiro) e o tráfico de drogas que as financia – este, perfeitamente integrado a ambientes de miséria.

Não muito afastados da zona conflagrada, outros ingredientes dessa receita explosiva podem ser encontrados dentro do privilegiado grupo dos absolutamente ricos – elite que aconchega em seu meio políticos corruptos, o outro câncer social.

Mas como se chegou a tal estado de calamidade? Em parte, a história explica. O Haiti, colonizado pelos franceses, teve sua independência conquistada pelos escravos em 1804. Toda uma ordem antes existente foi desestruturada, tendo sua economia agro-exportadora de então sido substituída por uma economia agrícola de subsistência. Uma nova identidade nacional foi estimulada por práticas culturais de origem africana. E a posse de propriedades foi restringida para estrangeiros.

Uma segunda fase na história do país, de 1820 a 1915, caracterizou-se pela volta da economia à exportação, principalmente de café. Os ideais de uma nação socialmente justa do movimento pela independência foram esquecidos, enquanto comandantes militares se fortaleciam políticamente, até finalmente se apossarem do poder, governando o país à sombra do autoritarismo militar.

Surgiram, a partir de então, as primeiras segregações entre negros e mulatos, civis e militares. A grande maioria da população tornou-se refém de uma pequena oligarquia. A sequência de tirania culminou com a ditadura da família Duvalier, iniciada nos anos 1950, primeiro com François Duvalier, o Papa Doc, até 1971, sucedido pelo filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc. Este dirigiu o país até 1986, quando deixou o país, pressionado por diversos setores da sociedade em reação ao autoritarismo e à repressão que marcaram seu governo.

Papa Doc e Baby Doc


O ano de 1990 marcou as primeiras eleições democráticas no país, com a vitória de Jean-Bertrand Aristide, um ex-padre simpatizante da teologia da libertação. Mas a recém-nascida democracia foi interrompida em setembro do ano seguinte por um golpe militar liderado pelo General Raul Cedras. Três anos depois, no entanto, Aristide era reconduzido ao poder sob a tutela dos Estados Unidos que, apoiados pela OEA e junto com tropas de vários países da região, invadiram o país para restaurar o governo eleito e a estabilidade política e econômica. Essa nova intervenção estadunidense se fez necessária pelo grande impacto regional causado pela migração de milhares de haitianos que tentavam fugir do violento regime, inclusive em direção à costa americana.

Aristide e Cedras


Mas o tráfico de drogas foi, com certeza, a real motivação para a ação, uma vez que a ditadura corrupta de Cedras facilitava as ações ilegais no Haiti, país a meio caminho entre a Colômbia e os Estados Unidos. Essa presença militar norte-americana acabou se prolongando, até que as Nações Unidas finalmente vieram assumir a responsabilidade pelo país, ainda com um general americano no comando.

Terminado seu mandato, Aristide convocou nova eleição presidencial sob assistência dos Estados Unidos e da ONU. Realizado em 1996, o pleito foi considerado irregular pelos observadores internacionais. Mesmo assim, o democrata Clinton, então presidente dos Estados Unidos, considerou o resultado da eleição um grande avanço para a consolidação da democracia no país.

Diversos fatores que se seguiram acabaram por contribuir para o colapso da economia haitiana. Os democratas do governo Clinton foram sucedidos pelos republicanos do nada saudoso Bush. Por sua vez, Aristide foi sucedido pelo eleito René Prevél. Este deu continuidade às políticas de Aristide que, por sua vez, voltou ao poder, desta vez sob forte suspeita de fraude eleitoral. Com tanta instabilidade, o país não atraía mais nenhum interesse do capital estrangeiro.

Forças paramilitares formadas principalmente por ex-partidários de Aristide e soldados do exército haitiano – incluindo-se os temidos "tontons macoutes", odientos covardes criados pela dinastia Doc – dissolvido em 1995, muitos dos quais encontravam-se refugiados na República Dominicana, se somaram a opositores do governo, tentando pressionar a comunidade internacional. Mas a Caribbean Community (CARICOM), a OEA e a ONU reafirmaram a legitimidade e o apoio ao cumprimento do mandato de Aristide.

Tontons macoutes


As forças rebeldes finalmente alcançaram Porto Príncipe, levando Aristide a fugir para a África. Sua fuga e posterior renúncia foi claramente conduzida pelo governo dos EUA através do General Collin Powell. Imediatamente em seguida, uma força multinacional chegou ao país com o objetivo de evitar a guerra civil e restaurar a democracia. Essas tropas passaram a ter comando brasileiro, que somou ao seu contingente soldados da Argentina, Chile, Nepal, Sri Lanka e Uruguai, em substituição aos estadunidenses, canadenses e franceses.

Este relato nos traz ao momento atualmente vivido pelo Haiti. Atravessamos um período marcado por uma crise econômica mundial de proporções ainda desconhecidas, dificultando ainda mais o esforço de reconstrução. Ainda não se sabe até quando os capacetes azuis da ONU sob comando brasileiro serão mantidos no país. Os objetivos iniciais aparentemente estão sendo alcançados, com o desarmamento de milícias e distribuição de água potável e alimentos a pessoas que sequer compreendiam o que esse gesto significava.

O Haiti atingiu extremos que jogaram diante de nossos olhos as piores práticas de corrupção e de crimes contra a humanidade, com a conivência de um imobilismo cínico e injustificado de toda a comunidade internacional. Tais práticas ocorrem por toda a parte do mundo, ainda que em menor escala mas, de forma alguma, menos condenáveis. Aqui no Brasil, não temos do que nos vangloriar: esbanjamos corrupção a céu aberto enquanto favelas são tomadas pelo narcotráfico, dormimos ao som de tiros e acordamos lendo notícias de pessoas inocentes atingidas mortalmente por balas perdidas.

Mas... epa! Eu disse "pessoas inocentes"? Por favor, me desculpem. Neste mundo não há inocentes. O que temos aqui são culpados e coniventes. Juízes habituados a venderem sentenças não tem condições morais de, a si próprios, atribuirem imparcialidade quando, mesmo diante de toneladas de provas contra banqueiros e políticos, se contentam em condenar apenas miseráveis que roubam para ter o que comer.

A África fica ao lado e o Haiti, logo ali.

24 de jun. de 2009

To Neda, with love...


Segundo o YouTube, o filme a seguir pode ser considerado impróprio para alguns usuários. E é!

Desculpem. Ele mostra como uma adolescente chamada Neda morreu foi morta por fanáticos pró-governo iraniano, quando participava de protestos contra a fraude da reeleição de Ahmadinejad. Ele dura exatos quarenta segundos, o suficiente para mostrar a estupidez de um regime que tenta se manter no poder a qualquer custo.

No início, percebe-se que a menina ainda está viva, em estado de choque. Em vão tentam socorrê-la, mas ela vomita muito sangue e, com os olhos arregalados, desfalece. Ainda que tenha sido transportada para um hospital, dificilmente o foi com vida. O fato é que, em questão de segundos, o percurso de uma vida foi estupidamente interrompido porque um louco basiji armado apertou um gatilho. Em nome de... o quê mesmo?

Aaaah, Ahmadinejad...!!!

9 de jun. de 2009

Reações a situações embaraçosas?


O sujeito entrou no restaurante do hotel e se dirigiu para o balcão de drinks. Uma vez instalado e bebendo seu scotch preferido, olhou em volta e percebeu que na outra ponta do balcão uma moça muito bonita aparentava estar sozinha.

Após algum tempo, ele se sentiu encorajado a tentar uma abordagem. Sentando-se ao lado da moça, gentilmente perguntou "posso lhe pagar um drink?" Ela olhou para ele e respondeu em voz bem alta "Um motel? Não!" Sem graça, ele murmurou "Mas eu só estava lhe oferecendo um drink..." A essa altura, todos no restaurante olhavam para os dois. Ela tornou a gritar "Por que eu deveria ir a um motel com você?"

Sem graça, ele voltou para o seu cantinho do outro lado do balcão pensando "Caramba, que mico!" Cerca de vinte minutos depois, a moça bonita veio sentar-se a seu lado para tentar se explicar "Sinto muito, senhor. Sou universitária e estou fazendo um trabalho de pesquisa sobre reações a situações embaraçosas. Espero que compreenda e me desculpe." Olhos nos olhos ele respondeu, em voz muito alta, "Duzentos dólares?"

Hehe... curiosamente, a piada acima eu encontrei neste site americano de piadas.

27 de mai. de 2009

Photoshopando errado


Capa da revista Veja, Edição 2114 de 27 de maio de 2009
Um amigo no trabalho chamou minha atenção para essa mancada da revista Veja. Se a modelo da foto tem realmente o corpo do jeito que está, tadinha, deve ser aleijada... Como nunca gostei dessa revista, comentei que a capa mal-feita daquele jeito estava coerente com a linha editorial da publicação – quer dizer, os leitores que se danem!

Mas para quem quer se divertir, uma boa dica é visitar o Photoshop Disasters ou curtir as dicas do meu post Photoshop pra quê?, de dezembro de 2008.

25 de abr. de 2009

Melhore a aparência das fontes no seu ruindous


Se você é usuário de ruindous-xp, aqui vai a dica de um recurso que é oferecido pelo próprio. Na área de trabalho, clique com o botão direito do mouse e, no menu, escolha 'Propriedades' – isso abre a ruindou 'Propriedades de Vídeo'. Nessa ruindou, clique na aba 'Aparência' e, em seguida, no botão 'Efeitos...' – isso abre outra ruindou chamada 'Efeitos'.

Até aqui, tudo oquei? Então, vamos aos passsos finais. Na segunda caixa de seleção, escolha a opção 'ClearType'. Após clicar em 'OK', a ruindou 'Efeitos' se fecha. Na ruindou 'Efeitos', clique novamente em 'OK' e pronto. Missão cumprida, o resultado é o que mostram as duas figuras que se seguem. A de cima ilustra como estavam as fontes no modo 'Padrão', enquanto a de baixo mostra como as fontes ficaram, no modo 'ClearType'.


11 de abr. de 2009

Uma segunda-feira para não esquecer



Descendo do Sumaré, rumo ao Alto da Boa Vista.

Março de 2009. Recém-chegado ao escritório, liguei meu iMac mas ele nem se mexeu. Resultado: uma segunda-feira para ninguém botar defeito. Fomos então, eu e o Claudio, direto à Apple Store na Barra. O percurso, pelo Alto da Boa Vista é daqueles de fazer paulistano se contorcer de inveja. A cidade do Rio é das poucas no mundo que podem se dar ao desfrute de conviver com praias oceânicas paradisíacas adornadas por florestas e montanhas. No Alto, em pleno verão, a temperatura cai ao padrão de um agradável outono europeu.

Na lojinha da Apple, diagnosticaram defeito na fonte – de fato, desde que nos mudamos esqueci da conveniente prudência de usar um no-break. O Mac teria de ficar por lá até o dia seguinte para troca da fonte. Curiosamente não puderam emitir nenhum comprovante, pois o sistema estava fora do ar. Eis a questão: ao que parece, não só a nossa antena no Sumaré, mas outros provedores e operadoras estavam sofrendo algum tipo de pane naquele dia.

A caminho de volta para o escritório, já no Alto, o Claudio sugeriu que fossemos ver a nossa antena, já que estávamos bem perto do Parque Nacional da Tijuca, no Sumaré. Concordei, claro – não teria mesmo o que fazer durante o dia. O Macarra já estava se dirigindo para o local, para reconectar nossa rede. Comentei que provavelmente o fato de todo mundo estar fora do ar se devesse ao mesmo problema e, realmente, quando chegamos lá, um barulho ensurdecedor de inúmeros geradores de energia funcionando simultaneamente impedia qualquer possibilidade de diálogo.

Confesso que fiquei impressionado com o que vi. Estávamos dentro de uma cidade surreal de torres e antenas, dentro de uma floresta e bem no alto de uma montanha. Seria um lugar ermo, habitado por pouca gente, não fosse o fato de naquele momento haver uma frota de carros estacionados da Light e de tudo que era empresa de telecomunicações – rádios, TVs, operadoras de telefonia fixa e móvel. Saímos do carro e caminhamos por uma trilha até a "nossa" torre que, na verdade, era compartilhada por nós e outros inquilinos. Enquanto o Claudio e o Macarra trabalhavam no equipamento, aproveitei para conhecer melhor o lugar. Saí fotografando o cenário com meu celular, uma tomada de baixo para cima da torre onde estávamos. Algumas fotos das torres vizinhas e da vista fantástica – de lá podiam ser vistos o Maracanã, a ponte Rio-Niterói e boa parte da Tijuca. Por toda a parte, placas alertavam que estávamos em uma APA – Área de Proteção Ambiental.

Uma apertada escada de ferro subia contornando a torre, oferecendo a frágil proteção de dois corrimões. Subi por ela até me perder no branco gelado da nuvem que a envolvia. Mal enxergava meus próprios pés quando decidi retornar lentamente ao solo, já que aquilo não estava tendo a menor graça. Desci praticamente no tato, um pé de cada vez experimentando onde iria pisar, até o momento em que pude respirar aliviado, quando finalmente voltei a enxergar os degraus. Não chegou a ser propriamente uma aventura, mas foi uma experiência bem diferente do confortável dia-a-dia na sala refrigerada do escritório.

Mais fotos do passeio podem ser vistas no Picasa.

21 de mar. de 2009

A casa da Vovó Wally, por Marina



Clique aqui ou na foto acima para acessar o álbum de fotos Casa da Vovó. Uma vez lá, clique sobre a primeira foto para folhear o álbum. As fotos foram colhidas acho que no início do ano passado pela minha filha Marina. Pena que sejam de baixa resolução, mas fiquei surpreso com o talento dela como fotógrafa. Mais um motivo de orgulho para um pai nem um pouco coruja...

A nossa Casa da Vovó fica antes de Mury, localidade por onde se passa quase chegando em Nova Friburgo, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. É um lugar muito tranquilo e cercado pela Mata Atlântica, ainda bem preservada. Guardo muitas lembranças dos tempos de infância e adolescência, de invernos verde-cinzentos ao abrigo de lareiras acesas, do aconchego de bons queijos e vinhos e dos muitos churrascos regados a cerveja. Histórias de passeios a pé ou de bicicleta, noitadas em restaurantes de cozinha alemã com direito a tábuas de frios e copinhos de Steinhaeger gelado. Mais tarde vieram as férias de verão dos meus filhos e foram muito Natais seguidos de Anos Novos e carnavais. Tudo com direito a longos dias de calor que muitas vezes terminavam sob forte chuva acompanhada de raios e trovoadas.

Ainda hoje e desde sempre predominam por lá sapos, corujas, colibris, tico-ticos, sabiás e bem-te-vis. O interior das casas é revestido por muita madeira e, mesmo durante o verão, à noite não se dorme sem a proteção de um edredon bem macio. Na primavera e no verão, invariavelmente no meio da tarde aparece a chuva regando os jardins e a mata, levantando um cheiro gostoso de dar preguiça. Já as tardes de outono e inverno são sonolenta-e-lentamente invadidas por forte nevoeiro, com a temperatura baixando o suficiente para começarmos a nos agasalhar. Então, brincamos de soprar vapor e desenhar com os dedos nos vidros das janelas...

19 de mar. de 2009

Uma rua chamada...



Hoje pela manhã peguei o 606 na Leopoldina, rumo ao trabalho. No caminho, deparei-me com uma placa alertando que uma determinada rua estava parcialmente interditada por causa de obras. O nome do logradouro: Rua Elpídio Boamorte...

E daí? Daí que não se trata de um nome comum. O Elpídio não assusta, mas o sobrenome chama atenção. Fosse algo como Elpídio Boavista, Boasorte, Boaventura... mas Boamorte? Imagina se esse nome fosse seu? E se você é do sexo feminino, Elpídia Boamorte lhe cai bem? Espanta mais ainda é que o sujeito deve ter sido alguém importante – não é qualquer um que vira nome de rua.

Investiguei no Google, claro. A maioria dos resultados reporta uma rua no Rio de Janeiro, mas ainda no início da lista, lá estava: "Nós, os Boamorte, nos orgulhamos de nosso sobrenome e da família que ele representa. Meus avós. Elpídio Boamorte Filho e Áurea Caminada Boamorte ...", com o link apontando para aqui.

Sim, lá está clara e objetivamente descrito:

"Prezada Senhora Eliana Maria Cavalcante.

Elpídio João da Boa Morte foi Diretor Geral do Tesouro Nacional, cargo equivalente ao atual Secretário da Receita Federal.

Encontramos ao longo de nossas pesquisas várias referências elogiosas ao desempenho dele, mas no momento não dispomos das anotações então feitas. Sabemos, porém, que ele foi Delegado Fiscal do Tesouro Nacional do Estado do Espírito Santo, nomeado em 21 de março de 1900. Outras pessoas com o mesmo sobrenome, e presumivelmente com ele aparentados, também ocuparam altos cargos no Ministério da Fazenda, como Elpídio Boamorte Filho, nomeado Inspetor da Alfândega de Vitória em 23 de março de 1951, e Cláudio Boamorte, Inspetor da Receita Federal no Aeroporto de Brasília de 1970 a 1972. Presumimos que o sobrenome "Boa Morte", tenha se originado por volta de 1760, quando durante a feroz perseguição do Marquês de Pombal aos Jesuítas, a Irmandade da Boa Morte, por eles (Jesuítas) fundada, foi extinta em todo o Brasil. Nessa ocasião, muitas famílias, inconformadas com a perseguição, adotaram nomes jesuíticos, como Loiola, Xavier, Inácio, Boa Morte e Sacramento.

Por enquanto, é só o que podemos informar sobre Elpídio João da Boa Morte, mas gostaríamos que a senhora reiterasse sua consulta dentro de algumas semanas, pois continuaremos atentos ao assunto e poderemos ter novas informações.

Atenciosamente.
José Eduardo Pimentel de Godoy - Assessor do Secretário da Receita Federal."

A própria Sra. Eliana Caminada, bisneta do patriarca, descreve: "Também através do Google é possível encontrar um fragmento da trajetória de Elpídio João da Boa Morte, patriarca de brasileiros probos, íntegros, administradores ligados ao Tesouro Nacional, que morreram, muitas vezes, sem deixar sequer um bem para a família."

Enfim, parece que minha bisbilhotice valeu a pena. Foi bom saber que nosso país já teve homens honestos ocupando cargos públicos...

9 de mar. de 2009

Meu Dizzler



Dependendo da sua banda, algumas faixas podem demorar a carregar.

Se ao clicar em algum item de lista aparecer alguma pop window pedindo login e senha, ignore e clique em Cancel. Tem uns chatos que entram na brincadeira só pra complicar.

22 de fev. de 2009

Carnagalho


Photo by myself
Lambança tem dono? Se tem, de quem é essa aí de cima?

Pois bem. Nesse domingo de carnaval, eu estava no Bar do Nani – que fica na Otávio Kelly com Domingues de Sá – bebendo uma Itaipava geladinha, quando de repente escutei um estrondo que mais parecia com o de um prédio caindo. Virei-me a tempo de ver um baita galho caindo dos céus... dos céus não, de uma árvore. Daquelas bem frondosas e com generosas sombras.
Photo by myself
O tal do galho caiu em cima de um carro, uma cabine dupla. Pronto, acabou a sensação de tédio e de falta de assunto de uma manhã beeem quente desse verão do ano cristão de 2009. Imagina se isso cai em cima de alguém? Esse troço deve pesar uns 200 quilos, cara! Bem que o pessoal reclama que a prefeitura não tem feito a poda das árvores.

O galho caiu do nada. Não tinha vento algum, o céu de brigadeiro era testemunha. Enfim, um bom pretexto pra mais uma geladinha...
Photo by myself
O tempo de consumir a geladinha foi suficiente para observar os bombeiros removendo o galho, serrando-o em vários pedaços até que a rua voltasse a ser liberada para o tráfego.

:: Carná sem trabaiá, iá-iá, iá-iá ::

8 de fev. de 2009

Mamãe, olha como eu sou esperto!


Foto: Leonardo Costa/D.A Press/Agência O Globo
É fácil perceber as consequências da cultura dos mais espertos predominante no nosso país. O difícil é compreender as origens dessa cultura. As consequências estão por aí, na famigerada "lei de Gerson", no "ilegal, e daí?", no "jeitinho brasileiro". Afinal, o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? Somos assim porque somos pobres ou somos pobres porque somos assim? O fato é que essa cultura dos mais espertos é típica dos países pobres.

Essa nossa indisciplina reina absoluta desde que nos entendemos por gente. Aqui, ser honesto e correto é coisa de babaca, como se vê claramente retratado no personagem Lineu do seriado "A Grande Família". Ele é o deslocado, o inconveniente. Na verdade, a esperteza é inimiga da meritocracia, que determina a imoralidade da cópia. O mérito da autoria é dos que praticam o ato de criar, algo que demanda esforço, inimigo número um da malandragem.

Estamos habituados a nos queixar do tal copyright, invenção do imperialismo americano e, com certeza, uma das razões de eles serem a potência que são. Porque lá, tudo que se inventa é patenteado. Coisa de babaca. Aliás, deve ser por isso que eles são tão patriotas, outra babaquice. O único problema é que eles, os babacas, são ricos. E nós, do reino da malandragem, somos pobres.

Outro problema é que a malandragem nos faz desconfiar uns dos outros. Uma pesquisa realizada em vários países constatou que o grau de desconfiança varia de acordo com o grau de desenvolvimento. A pergunta era se você acha que a maioria das pessoas em seu país é confiável. Algo em torno de 65% dos noruegueses responderam que sim. Entre os suecos, 60% responderam afirmativamente. Triste sina: apenas três em cada cem de nós brasileiros consideram seus compatriotas confiáveis.

Isso tudo e mais um pouquinho explica porque somos tão conformados com a imoralidade que reina entre os políticos. Afinal, otários são os turistas branqueloides que teimam em nos visitar, se dizendo maravilhados com a nossa irreverência, o nosso gingado, as nossas favelas, o nosso flagelo.

2 de fev. de 2009

Cesare Battisti: culpado ou inocente?


Esse caso do refugiado Cesare Battisti acabou me incomodando um pouco. Tenho visto muita gente se manifestando contrária à decisão do ministro da justiça Tarso Genro, de atribuir ao suposto criminoso italiano status de refugiado político.

Não penso que se trate de um assunto a ser discutido entre esquerdistas e direitistas. Trata-se de um tema que envolve soberania, quer dizer, o necessário e mútuo reconhecimento de dois estados serem soberanos e, por isso mesmo, capazes de manter uma discussão como essa no contexto do direito internacional.

Por isso mesmo, antes de me deixar envolver pelos argumentos apelativos que, ao final, mais parecem reproduzir um ritual de linchamento do que propriamente um julgamento imparcial, preferi investigar. Afinal, quem são essas pessoas que se arvoram ao direito de manifestarem suas opiniões como se juristas fossem, embora na esmagadora maioria realmente não o sejam?

Procurei por fontes de fatos, não de opiniões. Busquei conhecer a história, sua cronologia, seus personagens. Encontrei o ótimo texto de Valerio Evangelisti, publicado em 16 de setembro de 2005 e postado em 20 de março de 2008 no CMI Brasil - Centro de Mídia Independente, que traz muita luz ao assunto. O autor desfila uma sequência de perguntas com respostas que, à medida que são lidas, expõem como a grande imprensa se mostrou parcial e irresponsável a respeito.

Tomo a liberdade de reproduzir algumas dessas perguntas/respostas, a título de contribuir para a justa, urgente e necessária disseminação de informação imparcial, que permita às pessoas refletirem melhor sobre suas posições e convicções:

"Por que Cesare Battisti foi preso em 1979?

Ele foi preso no âmbito das prisões que abateram o Coletivo Autônomo da Barona (um bairro de Milão), depois do assassinato, em 16 de fevereiro de 1979, do joalheiro Luigi Pietro Torregiani.

Por que o joalheiro Torregiani foi assassinado?

Porque em 22 de janeiro de 1979, com um conhecido também armado, ele matou Orazio Daidone: um dos assaltantes do restaurante Il Transatlantico, onde Torregiani jantava com outras pessoas. Um cliente, Vincenzo Consoli, morreu no tiroteio e um outro foi ferido. Quem matou Torregiani pretendia acertar aqueles que, na época, 'faziam justiça com as próprias mãos'.

Cesare Battisti participou do assalto ao Il Transatlantico?

Não. Ninguém nunca afirmou isso. Foi um caso de delinquência comum.

Cesare Battisti participou do assassinato de Torregiani?

Não. Isso também – apesar de ter sido afirmado inicialmente – foi totalmente excluído. Além disso, também foi impossível envolvê-lo na morte do açougueiro Lino Sabbadin, que aconteceu na província de Udine no mesmo dia 16 de fevereiro de 1979, quase na mesma hora.

Se deixou entender que Cesare Battisti feriu um dos filhos adotivos de Torregiani, Alberto, que ficou paraplégico?

Alberto Torregiani foi ferido por uma bala disparada pelo seu próprio pai durante o tiroteio.

Por que então Cesare Battisti foi relacionado com o homicídio de Torregiani?

Porque, como ele mesmo reconheceu, fez parte do grupo que reivindicou o atentado, os Proletários Armados pelo Comunismo. O mesmo grupo que reinvidicou o atentado contra Sabbadin."

E assim as perguntas vão sendo feitas e respondidas, ao longo desse artigo cuja leitura recomendo aos apressadinhos de plantão, particularmente aos profissionais do jornalismo, para se imbuírem de um mínimo de responsabilidade quando sabem que são, sim, formadores de opinião.

Para concluir, vale citar um certo deputado italiano, o fascista Ettore Pirovano, a propósito desse imbroglio: "Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas". Ao que parece, os que defendem no Brasil a extradição de Battisti ganharam um aliado de peso (a direita na Europa tem mais a ver com nazistas e fascistas do que com republicanos).

28 de jan. de 2009

Kansas - Dust In The Wind



Realmente, hoje foi dia de ouvir música no YouTube e essa aí de cima é para encerrar.

Esses caras do Kansas eram feios. Mas fizeram essa coisa linda de música (uma das minhas favoritas) que muita garotada de hoje sequer conhece – um bom motivo para esse post.

Kate Bush - Rocket Man



Essa Kate Bush é muito louca. Aqui a versão dela para Rocket Man, do Elton John, com uma ligeira (mas gostosa) pitada de reggae.

Celtic Woman - Walking In The Air



Mais boa música. O grupo Celtic Woman interpreta esse tema – originalmente composto por Howard Blake para o filme "The Snowman", um desenho animado de 26 minutos que é a versão cinematográfica do livro infantil de mesmo nome, escrito pelo inglês Raymond Briggs. Tanto livro como filme não tem falas. A história em ambos é contada através de desenhos e tornou-se um ícone cultural inglês e internacional.

A letra:

Walking in the air, floating the sky...
Floating in the air...

We're walking in the air
We're floating in the moonlit sky
The people far below are sleeping as we fly

We're holding very tight
I'm riding in the midnight blue
I'm finding I can fly so high above with you

Far across the world
The villages go by like trees
The rivers and the hills
The forest and the streams

Children gaze open mouth
Taken by surprise
Nobody down below believes their eyes

We're surfing in the air
We're swimming in the frozen sky
We're drifting over icy
mountains floating by

Suddenly swooping low on an ocean deep
Arousing of a mighty monster from its sleep

We're walking in the air
We're dancing in the midnight sky
And everyone who sees us greets us as we fly

A música se popularizou pelo mundo ao ser interpretada pela banda finlandesa Nigthwish, de symphonic metal.

Aqui está um link para quem quer ver parte do filme (quase 10 minutos) no YouTube.

Andrea Bocelli & Hayley Westenra - Vivo Per Lei



Não tem como não se emocionar, nessa belíssima combinação de boa música com um casal patinando no gelo. Atenção no movimento a partir dos 2:50...

27 de jan. de 2009

26 de jan. de 2009

William Waack chama repórter de merda



Estou pegando no pé da Globo, "a platinada". Mas o mico aconteceu mesmo e é muito engraçado...

Mau gosto é pouco


Olhem o profissionalismo do pessoal da Globo... Custei a acreditar, mas o link é isso mesmo:

MARCELO+SILVA+SE+FODEU+BONITO

Essa eu peguei no Raios Triplos! mas, por favor, não entenda como um plágio. A intenção é espalhar mesmo.

E viva o povo brasileiro!


Não tem como creditar essa foto. Ela está sendo usada por inúmeros blogs
Viva a diversidade racial, a social, o carnaval. Viva a beleza da mulher brasileira, a ginga da malandragem e a irreverência dos cariocas. Não é por nada não, mas aqui acabam os elogios. Vamos falar um pouco do mau caratismo e da falsa esperteza daquela que ficou conhecida como a Lei de Gerson, que determina a obrigatoriedade de se levar vantagem em tudo.

O Gerson foi um dos grandes jogadores de futebol brasileiros. Além de ser lembrado por seus gols e seu talento de um dos melhores meiocampistas que já tivemos, infelizmente o será também pelo anúncio de péssimo gosto veiculado na TV, dos cigarros Vila Rica. Se alguém se interessar, há um vídeo desse anúncio no YouTube.

Ao contrário de muitas outras leis que compõem o código civil, a Lei de Gerson é muito respeitada e posta em prática em nosso país – tanto quanto a Lei da Gravidade e as Leis do Murphy. Recentemente eu a vi sendo mal e porcamente empregada, num dia em que a cidade do Rio ficou com o trânsito completamente parado por causa da chuva torrencial que caiu durante o dia. Saí do trabalho, na Tijuca; agradeci a sorte de poder usar o Metrô para chegar até o Centro e, em seguida, caminhei um curto trecho até a Praça Quinze, para pegar uma barca e atravessar a Baía rumo a Niterói.

Quando cheguei na Praça Quinze, deparei-me com filas imensas de passageiros aguardando a vez de embarcar. Fui até as bilheterias, para adquirir um ingresso e, pois é, descobri que isso seria algo muito difícil de ser possível. Pessoas que já tinham comprado seus ingressos tentavam se dirigir direto em direção às roletas, furando as filas na maior cara de pau. O resultado disso era que as pessoas que tentavam comprar seus ingressos não podiam fazê-lo, pois não havia como se aproximar das bilheterias. Aquela gente esperta, com a sua técnica do empurra-empurra, impedia que outras pessoas alcançassem as bilheterias.

Levei muito tempo e tive de empurrar muita gente, mas acabei conseguindo e, afinal, andei até o final de uma das filas, conferindo se não tinha perdido nada no meio daquele povo – meu celular, meu relógio, dinheiro, estava tudo lá. Lamento dizer isso, mas sinto-me revoltado até hoje e confesso que me envergonhei de ser brasileiro. Há muito a ser feito para que esse país algum dia mereça ser chamado de civilizado.

Diferenças culturais


A burka é um costume tribal milenar adotado em algumas sociedades patriarcais muçulmanas. Eu li em algum lugar na internet, que os religiosos fundamentalistas justificam seu uso com o exemplo de um animal selvagem que, ao ver um pedaço de carne, pode comê-la. Podemos então concordar e considerar que esses religiosos seriam animais selvagens preocupados em esconder as carnes de suas mulheres?

A foto acima eu pequei emprestada em Meio Bit, onde sua autoria é creditada a Natalie Behring.

Outro costume dessas sociedades é a prática da poligamia, porém só permitida aos homens. As mulheres só podem ter um único marido, o qual devem dividir com outras mulheres. Por serem costumes com profundas raízes culturais, as mulheres os aceitam e a eles se submentem voluntariamente em grande maioria.

Mas não é o preconceito o motivo de eu ter escrito isso. Existem muitos outros costumes exóticos e toscos aos olhos da nossa civilização ocidental. São culturas diferentes que devemos respeitar, por mais que discordemos. A verdade é que civilizações inteiras foram exterminadas pelos cristãos europeus que insistiram em converter os indígenas nas Américas por eles invadidas, ao que chamaram "descobertas".

Essa questão de respeito às diferenças, entretanto, deve ser entendida necessariamente em ambos os sentidos: devemos respeitar e ser respeitados. Mais um motivo para considerar o terrorismo como atividade abominável e injustificável; e para condenar a todos os que o apóiam como cúmplices de crimes hediondos contra a humanidade.

O Irã e o fundamentalismo dos aiatolás



A imagem acima, peguei emprestada de O Triunfo dos Porcos.

Não acredito que o fundamentalismo religioso deva ser visto como uma praga, muito embora seja sempre intolerante e pretensamente dono da verdade absoluta. Mas enquanto restrito a religiosidade, pouco ou nada tem de realmente prejudicial contra os que não rezam pela mesma cartilha. O problema é quando ele se intromete em outras áreas – como as econômica, social, política – e acumula um poder excessivo, a ponto de impedir a existência da democracia. É o que ocorre no Irã dos aiatolás, onde o fanatismo se sobrepõe à fé religiosa, impondo dogmas e crendices completamente ultrapassados, obtusos e absurdos.

A pregação do ódio ao ocidente, em especial ao estado de Israel e aos Estados Unidos da América, nada tem de racional ou justificável que não seja pela simples imposição da hierarquia fundamentalista dos aiatolás. O novo presidente americano fez menção ao status de estado terrorista do Irã, ainda que tenha se decalarado favorável ao diálogo e à solução pela via da diplomacia. Mas é fato notório que o Irã seja a verdadeira ameaça à paz mundial e é assim que deve ser entendida a política do seu governo.

O que realmente mantém o equilíbrio na região é o fato de os iranianos serem um contraponto ao panarabismo. Não existisse Israel, o Irã seria o alvo prioritário, o principal inimigo dos árabes. Mas o mundo espera mais do que uma preferência de Obama por uma solução diplomática. Com fanáticos não há diálogo, não existe o que negociar. E não podemos esquecer que, de fato, os terroristas patrocinados pelo Irã sempre deixaram isso bem claro.

22 de jan. de 2009

This Is The Life, por Amy Macdonald


Já que o assunto aqui vem sendo música, aqui vai uma boa dica para quem quer ouvir suas músicas preferidas sem precisar instalar nada. É só acessar e escutar: Deezer - Music on demand, free music without download.

This Is The Life, por Amy Macdonald:


14 de jan. de 2009

Grieg - Amanhecer de Peer Gynt


Para relaxar. Morning Mood (em norueguês: Morgenstemning; em alemão: Morgenstimmung) é parte da belíssima Peer Gynt Suite, do compositor norueguês Edvard Grieg. Frequentemente usada em comerciais na televisão e em filmes, a peça "descreve" a alvorada, o nascer do sol.

Edvard Hagerup Grieg nasceu em 1843 em Berger, pequena cidade portuária ao sul da Noruega. Muitos o chamam até hoje de "Chopin do Norte". Para saber mais sobre este e outros nomes famosos da música clássica, vale a pena visitar e conhecer a página da Coleção Folha de Música Clássica, da Folha Online.

Gioachino Rossini - The William Tell Overture


William Tell Overture, by Gioachino Rossini. Berliner Philharmoniker. Claudio Abbado, conductor.

Part I



Part II


13 de jan. de 2009

Gaza: dá para entender?


Imagem colhida em www.israelnewsagency.com
A foto acima é proposital. Ela mostra o quanto o terrorismo e o fundamentalismo religioso que o inspira são bestiais.

Mas o que eu tento entender mesmo é: o que houve com o exército de Israel? Já não se pode mais dizer, como há poucos anos atrás, que é o melhor exército do mundo. Está errando demais, matando civis, crianças, funcionários da ONU e cometendo inclusive o tal "fogo amigo".

Não penso que tais erros sejam ações deliberadas, como o são as ações dos militantes do Hamas contra seus próprios conterrâneos. O Hamas impõe aos civis que sirvam de escudos humanos e executam os que se recusam, acusando-os de serem traidores da causa palestina.

Há quem sustente que não sejam erros mas, sim, pura barbárie dos israelenses. Lamento, mas isso não é mais do que a mesma retórica repetitiva de xenofobia anti-americana e anti-semita. A imagem lá de cima mostra claramente quem são os bárbaros. Curioso, não lembro de ter visto a mesma intensidade de revolta e de mensagens de protesto quando esses homens-bomba se explodem, ceifando vidas de civis inocentes.

A alternativa para a guerra seria a paz negociada, mas a verdade é: quem não quer conversa é o Hamas.

9 de jan. de 2009

O arquivo de fotos da Life no Google e uma humanidade que não aprende


LIFE photo archive hosted by Google
Nesses tempos de anti-semitismo e anti-americanismo exacerbado, vou dar uma de anti-xenófobo. Portanto, se você pertence à categoria dos que estão revoltados com a "reação desproporcional" do governo israelense contra o Hamas, não leia este post.

Essa dica eu aproveitei da Cora Rónai: o Life photoarchive hosted by Google é um banco imenso com milhões de imagens digitalizadas. São fotos classificadas por categorias, obtidas desde o ano de 1750 até os dias atuais. Show!

Ah, sim! Aos xenófobos de plantão: adotem cada um seu próprio terrorista (preferencialmente do Hamas), dêem-lhe proteção, carinho e aconchego. A humanidade realmente não aprende. Erra, erra de novo e de novo mais uma vez, mas não aprende!

Eu tenho uma visão pessoal bem clara do porquê dessa forma simplória e primitiva de odiar, odiar bastante e odiar mais ainda. Isso tem muito a ver com inveja, uma das forças motrizes do ódio. Os incapazes invejam aqueles que sabem fazer bem feito, destroem o que os competentes constroem, difamam aos que os ignoram. Bem que merecem mesmo, ser ignorados – os invejosos, não os terroristas; esses últimos não passam de um flagelo da atualidade, precisam ser exterminados da superfície terrestre. Ao menos isso, o governo israelense começou a fazer.

6 de jan. de 2009

E viva as saladas!


Imagem de propriedade de Leon Brooks, obtida em BurningWell.org
Poderia ser uma promessa de Ano Novo, mas não foi. Já vinha pensando nisso há algum tempo: uma mudança de hábito do tipo inimaginável. Estou falando do que foi o meu almoço de hoje – uma experiência tão inédita quanto surpreendentemente boa. Tanto que resolvi tratar isso como algo apropriado e digno de fazer parte do "conteúdo do bem" neste meu blog.

Para quem estava acostumado a se alimentar de bife com batatas fritas, arroz e feijão, muuuito sal e... salada nem pensar, certamente causa espanto o cardápio que preparei para mim mesmo neste 6 de janeiro do ano cristão de 2009. Um cardápio, esclareça-se de passagem, montado de improviso num restaurante a quilo localizado bem perto do meu local de trabalho.

Então vamos lá. Claro que a coisa não se deu tão de improviso assim, pois eu já vinha de alguns dias mastigando mentalmente algumas idéias que vinham me intrigando. O fato é que, naquele momento, ao me aproximar da gôndola de self-service com o enorme prato vazio nas mãos, já dispunha de um anteprojeto devidamente elaborado e prestes a ser testado.

Comecei pelas saladas, uma categoria que sempre foi religiosamente ignorada desprezada por mim. A variedade oferecida pela casa poderia me deixar confuso e indeciso, mas posso dizer que me saí bem: primeiro uma grande e farta colher de xuxú com cenoura e batata; em seguida, outra de quiabo com tomate picado, mais uma de vagem picada, uma de beterraba, tudo generosamente regado com azeite extra virgem – que, além de agregar um sabor delicioso e ser muito saudável, pouco ou quase nada acrescenta ao peso final do prato. Na seção de quentes, limitei-me a dois pedaços pequenos de peito de frango grelhado, levemente tostados.

Normalmente esses restaurantes a quilo disponibilizam potes com iguarias como ovinhos de codorna (servi-me de dois), azeitonas pretas ou verdes, cebolinhas em conserva, minitomates, alcaparras e champignons (esses eu também levei ao prato), entre outros. Por último, acrescentei mais azeite extra virgem sobre os filets de frango, as alcaparras e os champignons. Levei o prato à balança e pedi um suco de laranja. O valor total da comanda foi de exatos R$ 8,49 (oito reais e quarenta e nova centavos) para algo em torno de 350 mg.

Tem mais, esse anteprojeto era uma conspiração deliberadamente armada contra tudo a que eu estava habituado. Essa conspiração incluía em seu arsenal a degustação, algo como um jogo de apreciar aquela comida experimentando as possíveis combinações de sabores disponíveis no prato. Por exemplo, após uma garfada de peito de frango, levei imediatamente à boca um pouco de alcaparras com champignons – o que trouxe como resultado um quase murmúrio de prazer que consegui evitar manifestar-se.

Concluindo, trata-se de uma mudança que não representa o banimento das carnes vermelhas, feijoadas ou macarronadas. Pretendo cometer alguns suculentos atentados ao meu aparelho digestivo. Mas que fique claro: serão meras e eventuais excessões. A lição principal dessa experiência para mim foi descobrir que as saladas podem sim, ser saborosas, degustativas, nutritivas e... saudáveis!

5 de jan. de 2009

Faixa de Gaza: o que é desproporcional?


Foto: IMEMC News - International Middle East Media Center
Se existe algum responsável pelo que está acontecendo no Oriente Médio, esse alguém chama-se Hamas, uma organização terrorista que se declara existir para varrer do mapa o estado de Israel. Indiferente aos acordos e a quaisquer conversações que objetivem uma paz duradoura entre palestinos e israelenses, esse grupo lança mísseis que atingem invariavelmente alvos civis em Israel.

Tem-se dito na mídia que a reação de Israel às atividades do Hamas foi desproporcional. O mesmo foi dito oficialmente por governos e autoridades de vários países. Infelizmente, o Lula e o Itamaraty estão fazendo coro, fazendo com que essa posição seja oficial, em nome de todos nós brasileiros.

Discordo veementemente. Quer dizer que os terroristas merecem um tratamento proporcional ao que eles fazem? Significa que Israel deveria lançar mísseis invariavelmente contra alvos civis na Faixa de Gaza?

O mais absurdo é que, quando lançamos mão de um argumento como esse, de reação desproporcional, estamos admitindo que as atividades terroristas do Hamas devem ser reconhecidas como sendo legítimas? Será que estamos perdendo o senso do que seja civilização? Ainda que haja controvérsias sobre o que seja civilizado, definitivamente o terrorismo não o é.

Detesto guerras, odeio terroristas. Mas o fato é que em qualquer conflito armado, quem mais sofre é a população civil. Ocorre que, nesse caso em particular, os civis palestinos da Faixa de Gaza tem sua cota de responsabilidade pelo que está acontecendo: preferiram o Hamas ao Fatah para governá-los. Não é possível que eles não soubessem que seriam usados pelas milícias como escudos humanos e que, por isso mesmo, acabariam sendo bombardeados.

Não é possível que alguém acredite que Israel permaneceria sem reação (proporcional ou não), sujeitando sua população aos mísseis do Hamas. Os que falam em desproporcionalidade estão juntando suas vozes às de terroristas e às de estados como Irã e Síria, que abrigam terroristas em seus territórios.

Há muito a ser e que já foi negociado, muitas diferenças já foram vencidas ou superadas, graças ao apoio de outros governos. Em todas as negociações e acordos, jamais se viu um membro do Hamas assinar ou sequer participar de algum acordo de paz. Desproporcionais são esses terroristas, que estão se lixando para a paz. Ao contrário do Hamas, o Fatah goza de legitimidade, pois negocia e costura acordos em favor de soluções que levem à paz.

O Hamas tem algo a negociar? O que teria para levar a uma mesa de negociações? O fim de Israel? A reivindicação de que os israelenses o deixem sossegado e confortável para lançar seus mísseis, tornando a vida dos vizinhos indesejáveis um inferno? Isso sim, seria algo realmente desproporcional.