
Poderia ser uma promessa de Ano Novo, mas não foi. Já vinha pensando nisso há algum tempo: uma mudança de hábito do tipo inimaginável. Estou falando do que foi o meu almoço de hoje – uma experiência tão inédita quanto surpreendentemente boa. Tanto que resolvi tratar isso como algo apropriado e digno de fazer parte do "conteúdo do bem" neste meu blog.
Para quem estava acostumado a se alimentar de bife com batatas fritas, arroz e feijão, muuuito sal e... salada nem pensar, certamente causa espanto o cardápio que preparei para mim mesmo neste 6 de janeiro do ano cristão de 2009. Um cardápio, esclareça-se de passagem, montado de improviso num restaurante a quilo localizado bem perto do meu local de trabalho.
Então vamos lá. Claro que a coisa não se deu tão de improviso assim, pois eu já vinha de alguns dias mastigando mentalmente algumas idéias que vinham me intrigando. O fato é que, naquele momento, ao me aproximar da gôndola de self-service com o enorme prato vazio nas mãos, já dispunha de um anteprojeto devidamente elaborado e prestes a ser testado.
Comecei pelas saladas, uma categoria que sempre foi religiosamente
ignorada desprezada por mim. A variedade oferecida pela casa poderia me deixar confuso e indeciso, mas posso dizer que me saí bem: primeiro uma grande e farta colher de xuxú com cenoura e batata; em seguida, outra de quiabo com tomate picado, mais uma de vagem picada, uma de beterraba, tudo generosamente regado com azeite extra virgem – que, além de agregar um sabor delicioso e ser muito saudável, pouco ou quase nada acrescenta ao peso final do prato. Na seção de quentes, limitei-me a dois pedaços pequenos de peito de frango grelhado, levemente tostados.
Normalmente esses restaurantes a quilo disponibilizam potes com iguarias como ovinhos de codorna (servi-me de dois), azeitonas pretas ou verdes, cebolinhas em conserva, minitomates, alcaparras e champignons (esses eu também levei ao prato), entre outros. Por último, acrescentei mais azeite extra virgem sobre os filets de frango, as alcaparras e os champignons. Levei o prato à balança e pedi um suco de laranja. O valor total da comanda foi de exatos R$ 8,49 (oito reais e quarenta e nova centavos) para algo em torno de 350 mg.
Tem mais, esse anteprojeto era uma conspiração deliberadamente armada contra tudo a que eu estava habituado. Essa conspiração incluía em seu arsenal a degustação, algo como um jogo de apreciar aquela comida experimentando as possíveis combinações de sabores disponíveis no prato. Por exemplo, após uma garfada de peito de frango, levei imediatamente à boca um pouco de alcaparras com champignons – o que trouxe como resultado um quase murmúrio de prazer que consegui evitar manifestar-se.
Concluindo, trata-se de uma mudança que não representa o banimento das carnes vermelhas, feijoadas ou macarronadas. Pretendo cometer alguns suculentos atentados ao meu aparelho digestivo. Mas que fique claro: serão meras e eventuais excessões. A lição principal dessa experiência para mim foi descobrir que as saladas podem sim, ser saborosas, degustativas, nutritivas e... saudáveis!