26 de jan. de 2009

E viva o povo brasileiro!


Não tem como creditar essa foto. Ela está sendo usada por inúmeros blogs
Viva a diversidade racial, a social, o carnaval. Viva a beleza da mulher brasileira, a ginga da malandragem e a irreverência dos cariocas. Não é por nada não, mas aqui acabam os elogios. Vamos falar um pouco do mau caratismo e da falsa esperteza daquela que ficou conhecida como a Lei de Gerson, que determina a obrigatoriedade de se levar vantagem em tudo.

O Gerson foi um dos grandes jogadores de futebol brasileiros. Além de ser lembrado por seus gols e seu talento de um dos melhores meiocampistas que já tivemos, infelizmente o será também pelo anúncio de péssimo gosto veiculado na TV, dos cigarros Vila Rica. Se alguém se interessar, há um vídeo desse anúncio no YouTube.

Ao contrário de muitas outras leis que compõem o código civil, a Lei de Gerson é muito respeitada e posta em prática em nosso país – tanto quanto a Lei da Gravidade e as Leis do Murphy. Recentemente eu a vi sendo mal e porcamente empregada, num dia em que a cidade do Rio ficou com o trânsito completamente parado por causa da chuva torrencial que caiu durante o dia. Saí do trabalho, na Tijuca; agradeci a sorte de poder usar o Metrô para chegar até o Centro e, em seguida, caminhei um curto trecho até a Praça Quinze, para pegar uma barca e atravessar a Baía rumo a Niterói.

Quando cheguei na Praça Quinze, deparei-me com filas imensas de passageiros aguardando a vez de embarcar. Fui até as bilheterias, para adquirir um ingresso e, pois é, descobri que isso seria algo muito difícil de ser possível. Pessoas que já tinham comprado seus ingressos tentavam se dirigir direto em direção às roletas, furando as filas na maior cara de pau. O resultado disso era que as pessoas que tentavam comprar seus ingressos não podiam fazê-lo, pois não havia como se aproximar das bilheterias. Aquela gente esperta, com a sua técnica do empurra-empurra, impedia que outras pessoas alcançassem as bilheterias.

Levei muito tempo e tive de empurrar muita gente, mas acabei conseguindo e, afinal, andei até o final de uma das filas, conferindo se não tinha perdido nada no meio daquele povo – meu celular, meu relógio, dinheiro, estava tudo lá. Lamento dizer isso, mas sinto-me revoltado até hoje e confesso que me envergonhei de ser brasileiro. Há muito a ser feito para que esse país algum dia mereça ser chamado de civilizado.

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