8 de fev. de 2009

Mamãe, olha como eu sou esperto!


Foto: Leonardo Costa/D.A Press/Agência O Globo
É fácil perceber as consequências da cultura dos mais espertos predominante no nosso país. O difícil é compreender as origens dessa cultura. As consequências estão por aí, na famigerada "lei de Gerson", no "ilegal, e daí?", no "jeitinho brasileiro". Afinal, o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? Somos assim porque somos pobres ou somos pobres porque somos assim? O fato é que essa cultura dos mais espertos é típica dos países pobres.

Essa nossa indisciplina reina absoluta desde que nos entendemos por gente. Aqui, ser honesto e correto é coisa de babaca, como se vê claramente retratado no personagem Lineu do seriado "A Grande Família". Ele é o deslocado, o inconveniente. Na verdade, a esperteza é inimiga da meritocracia, que determina a imoralidade da cópia. O mérito da autoria é dos que praticam o ato de criar, algo que demanda esforço, inimigo número um da malandragem.

Estamos habituados a nos queixar do tal copyright, invenção do imperialismo americano e, com certeza, uma das razões de eles serem a potência que são. Porque lá, tudo que se inventa é patenteado. Coisa de babaca. Aliás, deve ser por isso que eles são tão patriotas, outra babaquice. O único problema é que eles, os babacas, são ricos. E nós, do reino da malandragem, somos pobres.

Outro problema é que a malandragem nos faz desconfiar uns dos outros. Uma pesquisa realizada em vários países constatou que o grau de desconfiança varia de acordo com o grau de desenvolvimento. A pergunta era se você acha que a maioria das pessoas em seu país é confiável. Algo em torno de 65% dos noruegueses responderam que sim. Entre os suecos, 60% responderam afirmativamente. Triste sina: apenas três em cada cem de nós brasileiros consideram seus compatriotas confiáveis.

Isso tudo e mais um pouquinho explica porque somos tão conformados com a imoralidade que reina entre os políticos. Afinal, otários são os turistas branqueloides que teimam em nos visitar, se dizendo maravilhados com a nossa irreverência, o nosso gingado, as nossas favelas, o nosso flagelo.

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