Descendo do Sumaré, rumo ao Alto da Boa Vista.
Março de 2009. Recém-chegado ao escritório, liguei meu iMac mas ele nem se mexeu. Resultado: uma segunda-feira para ninguém botar defeito. Fomos então, eu e o Claudio, direto à Apple Store na Barra. O percurso, pelo Alto da Boa Vista é daqueles de fazer paulistano se contorcer de inveja. A cidade do Rio é das poucas no mundo que podem se dar ao desfrute de conviver com praias oceânicas paradisíacas adornadas por florestas e montanhas. No Alto, em pleno verão, a temperatura cai ao padrão de um agradável outono europeu.
Na lojinha da Apple, diagnosticaram defeito na fonte – de fato, desde que nos mudamos esqueci da conveniente prudência de usar um no-break. O Mac teria de ficar por lá até o dia seguinte para troca da fonte. Curiosamente não puderam emitir nenhum comprovante, pois o sistema estava fora do ar. Eis a questão: ao que parece, não só a nossa antena no Sumaré, mas outros provedores e operadoras estavam sofrendo algum tipo de pane naquele dia.
A caminho de volta para o escritório, já no Alto, o Claudio sugeriu que fossemos ver a nossa antena, já que estávamos bem perto do Parque Nacional da Tijuca, no Sumaré. Concordei, claro – não teria mesmo o que fazer durante o dia. O Macarra já estava se dirigindo para o local, para reconectar nossa rede. Comentei que provavelmente o fato de todo mundo estar fora do ar se devesse ao mesmo problema e, realmente, quando chegamos lá, um barulho ensurdecedor de inúmeros geradores de energia funcionando simultaneamente impedia qualquer possibilidade de diálogo.
Confesso que fiquei impressionado com o que vi. Estávamos dentro de uma cidade surreal de torres e antenas, dentro de uma floresta e bem no alto de uma montanha. Seria um lugar ermo, habitado por pouca gente, não fosse o fato de naquele momento haver uma frota de carros estacionados da Light e de tudo que era empresa de telecomunicações – rádios, TVs, operadoras de telefonia fixa e móvel. Saímos do carro e caminhamos por uma trilha até a "nossa" torre que, na verdade, era compartilhada por nós e outros inquilinos. Enquanto o Claudio e o Macarra trabalhavam no equipamento, aproveitei para conhecer melhor o lugar. Saí fotografando o cenário com meu celular, uma tomada de baixo para cima da torre onde estávamos. Algumas fotos das torres vizinhas e da vista fantástica – de lá podiam ser vistos o Maracanã, a ponte Rio-Niterói e boa parte da Tijuca. Por toda a parte, placas alertavam que estávamos em uma APA – Área de Proteção Ambiental.
Uma apertada escada de ferro subia contornando a torre, oferecendo a frágil proteção de dois corrimões. Subi por ela até me perder no branco gelado da nuvem que a envolvia. Mal enxergava meus próprios pés quando decidi retornar lentamente ao solo, já que aquilo não estava tendo a menor graça. Desci praticamente no tato, um pé de cada vez experimentando onde iria pisar, até o momento em que pude respirar aliviado, quando finalmente voltei a enxergar os degraus. Não chegou a ser propriamente uma aventura, mas foi uma experiência bem diferente do confortável dia-a-dia na sala refrigerada do escritório.
Mais fotos do passeio podem ser vistas no Picasa.
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