22 de fev. de 2009

Carnagalho


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Lambança tem dono? Se tem, de quem é essa aí de cima?

Pois bem. Nesse domingo de carnaval, eu estava no Bar do Nani – que fica na Otávio Kelly com Domingues de Sá – bebendo uma Itaipava geladinha, quando de repente escutei um estrondo que mais parecia com o de um prédio caindo. Virei-me a tempo de ver um baita galho caindo dos céus... dos céus não, de uma árvore. Daquelas bem frondosas e com generosas sombras.
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O tal do galho caiu em cima de um carro, uma cabine dupla. Pronto, acabou a sensação de tédio e de falta de assunto de uma manhã beeem quente desse verão do ano cristão de 2009. Imagina se isso cai em cima de alguém? Esse troço deve pesar uns 200 quilos, cara! Bem que o pessoal reclama que a prefeitura não tem feito a poda das árvores.

O galho caiu do nada. Não tinha vento algum, o céu de brigadeiro era testemunha. Enfim, um bom pretexto pra mais uma geladinha...
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O tempo de consumir a geladinha foi suficiente para observar os bombeiros removendo o galho, serrando-o em vários pedaços até que a rua voltasse a ser liberada para o tráfego.

:: Carná sem trabaiá, iá-iá, iá-iá ::

8 de fev. de 2009

Mamãe, olha como eu sou esperto!


Foto: Leonardo Costa/D.A Press/Agência O Globo
É fácil perceber as consequências da cultura dos mais espertos predominante no nosso país. O difícil é compreender as origens dessa cultura. As consequências estão por aí, na famigerada "lei de Gerson", no "ilegal, e daí?", no "jeitinho brasileiro". Afinal, o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? Somos assim porque somos pobres ou somos pobres porque somos assim? O fato é que essa cultura dos mais espertos é típica dos países pobres.

Essa nossa indisciplina reina absoluta desde que nos entendemos por gente. Aqui, ser honesto e correto é coisa de babaca, como se vê claramente retratado no personagem Lineu do seriado "A Grande Família". Ele é o deslocado, o inconveniente. Na verdade, a esperteza é inimiga da meritocracia, que determina a imoralidade da cópia. O mérito da autoria é dos que praticam o ato de criar, algo que demanda esforço, inimigo número um da malandragem.

Estamos habituados a nos queixar do tal copyright, invenção do imperialismo americano e, com certeza, uma das razões de eles serem a potência que são. Porque lá, tudo que se inventa é patenteado. Coisa de babaca. Aliás, deve ser por isso que eles são tão patriotas, outra babaquice. O único problema é que eles, os babacas, são ricos. E nós, do reino da malandragem, somos pobres.

Outro problema é que a malandragem nos faz desconfiar uns dos outros. Uma pesquisa realizada em vários países constatou que o grau de desconfiança varia de acordo com o grau de desenvolvimento. A pergunta era se você acha que a maioria das pessoas em seu país é confiável. Algo em torno de 65% dos noruegueses responderam que sim. Entre os suecos, 60% responderam afirmativamente. Triste sina: apenas três em cada cem de nós brasileiros consideram seus compatriotas confiáveis.

Isso tudo e mais um pouquinho explica porque somos tão conformados com a imoralidade que reina entre os políticos. Afinal, otários são os turistas branqueloides que teimam em nos visitar, se dizendo maravilhados com a nossa irreverência, o nosso gingado, as nossas favelas, o nosso flagelo.

2 de fev. de 2009

Cesare Battisti: culpado ou inocente?


Esse caso do refugiado Cesare Battisti acabou me incomodando um pouco. Tenho visto muita gente se manifestando contrária à decisão do ministro da justiça Tarso Genro, de atribuir ao suposto criminoso italiano status de refugiado político.

Não penso que se trate de um assunto a ser discutido entre esquerdistas e direitistas. Trata-se de um tema que envolve soberania, quer dizer, o necessário e mútuo reconhecimento de dois estados serem soberanos e, por isso mesmo, capazes de manter uma discussão como essa no contexto do direito internacional.

Por isso mesmo, antes de me deixar envolver pelos argumentos apelativos que, ao final, mais parecem reproduzir um ritual de linchamento do que propriamente um julgamento imparcial, preferi investigar. Afinal, quem são essas pessoas que se arvoram ao direito de manifestarem suas opiniões como se juristas fossem, embora na esmagadora maioria realmente não o sejam?

Procurei por fontes de fatos, não de opiniões. Busquei conhecer a história, sua cronologia, seus personagens. Encontrei o ótimo texto de Valerio Evangelisti, publicado em 16 de setembro de 2005 e postado em 20 de março de 2008 no CMI Brasil - Centro de Mídia Independente, que traz muita luz ao assunto. O autor desfila uma sequência de perguntas com respostas que, à medida que são lidas, expõem como a grande imprensa se mostrou parcial e irresponsável a respeito.

Tomo a liberdade de reproduzir algumas dessas perguntas/respostas, a título de contribuir para a justa, urgente e necessária disseminação de informação imparcial, que permita às pessoas refletirem melhor sobre suas posições e convicções:

"Por que Cesare Battisti foi preso em 1979?

Ele foi preso no âmbito das prisões que abateram o Coletivo Autônomo da Barona (um bairro de Milão), depois do assassinato, em 16 de fevereiro de 1979, do joalheiro Luigi Pietro Torregiani.

Por que o joalheiro Torregiani foi assassinado?

Porque em 22 de janeiro de 1979, com um conhecido também armado, ele matou Orazio Daidone: um dos assaltantes do restaurante Il Transatlantico, onde Torregiani jantava com outras pessoas. Um cliente, Vincenzo Consoli, morreu no tiroteio e um outro foi ferido. Quem matou Torregiani pretendia acertar aqueles que, na época, 'faziam justiça com as próprias mãos'.

Cesare Battisti participou do assalto ao Il Transatlantico?

Não. Ninguém nunca afirmou isso. Foi um caso de delinquência comum.

Cesare Battisti participou do assassinato de Torregiani?

Não. Isso também – apesar de ter sido afirmado inicialmente – foi totalmente excluído. Além disso, também foi impossível envolvê-lo na morte do açougueiro Lino Sabbadin, que aconteceu na província de Udine no mesmo dia 16 de fevereiro de 1979, quase na mesma hora.

Se deixou entender que Cesare Battisti feriu um dos filhos adotivos de Torregiani, Alberto, que ficou paraplégico?

Alberto Torregiani foi ferido por uma bala disparada pelo seu próprio pai durante o tiroteio.

Por que então Cesare Battisti foi relacionado com o homicídio de Torregiani?

Porque, como ele mesmo reconheceu, fez parte do grupo que reivindicou o atentado, os Proletários Armados pelo Comunismo. O mesmo grupo que reinvidicou o atentado contra Sabbadin."

E assim as perguntas vão sendo feitas e respondidas, ao longo desse artigo cuja leitura recomendo aos apressadinhos de plantão, particularmente aos profissionais do jornalismo, para se imbuírem de um mínimo de responsabilidade quando sabem que são, sim, formadores de opinião.

Para concluir, vale citar um certo deputado italiano, o fascista Ettore Pirovano, a propósito desse imbroglio: "Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas". Ao que parece, os que defendem no Brasil a extradição de Battisti ganharam um aliado de peso (a direita na Europa tem mais a ver com nazistas e fascistas do que com republicanos).